PLEBISCITO: DESARMAR PARA PODER COBRAR
Escrito por Patrícia Regina Alves
Dom, 09 de Outubro de 2005 04:00
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Plebiscito: Desarmar para poder cobrar

 

Patrícia Regina Alves *
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O fato de manter uma legislação que permite às pessoas civis terem porte de armas de fogo, como desculpa de proteção ou de inibição da violência é pura argumentação vazia e sem fundamentos. Armar cidadãos ditos "de bem" não fará com que se diminua o número da violência e criminalidade em nosso país, visto que, a regra é clara: não reagir, em caso de assalto, por exemplo.

Permitir armas à população é um convite ao aumento do número de acidentes domésticos, crimes passionais, brigas de rua...O contrário pode não diminuir os índices - em princípio - da falta de segurança. Entretanto, se pensarmos que apenas as forças armadas e os criminosos terão armas, fica muito mais fácil para justiça e para a sociedade saber quem é o "mocinho" e quem é o "bandido". Se a justificativa for que as armas encontradas com os "bandidos" são armas, de uso exclusivo das Forças Armadas, epâ? tem coisa errada aí...Ou há bandidos com distintivos e a sociedade terá argumentos consistentes para cobrar ações imediatas a fim de descobrir quem são "os mocinhos" que viraram a casaca, e puni-los dentro da lei. Ou, como infelizmente sabemos, muitos policiais foram assassinados pelos criminosos que queriam por as mãos em suas armas. Em ambos os casos, armar a sociedade não resolverá o problema.

Se a justificativa for que policiais honestos da reserva tem que possuir
armas pra se defender de criminosos querendo vingança, outro argumento inconsistente. Pagamos impostos, e os militares e policiais na ativa têm obrigação de nos defender, sem que um cidadão comum, mesmo sendo ex-militar tenha que agir com as próprias mãos.

Se a justificativa for que devemos ser contra o desarmamento, já que a
maioria das armas de fogo, responsáveis pelos homicídios no Brasil, são armas ilegais e que não justificaria desarmar os cidadãos honestos e responsáveis do nosso país, eu faço apenas uma pergunta: Qual é o índice de resoluções de crimes e de baixa da violência, que podem ser descritos e definidos como de responsabilidade das armas empunhadas pelos “cidadãos de bem” que tinham porte e usaram suas armas?

Não sejamos inocentes a ponto de acreditar que manter uma “Lei de Fogo” será a solução para os nossos problemas. Aqueles que acreditam que esta seja a melhor alternativa, ou têm pouca informação ou tem motivos escusos e ilícitos para manter a liberação das armas de fogo.

A decisão é sempre nossa. Hoje no Brasil, quem tem armas? Forças armadas, cidadãos querendo se defender – na maioria, ricos e alguns “pobres” com armas ilegais – “criminosos com distintivo” e os criminosos assumidos.

Em todos estes casos, os cidadãos comuns não deveriam ter “o poder” de empunhar uma arma, na medida que a responsabilidade por resolver os problemas da falta de segurança e violência é do Governo, na autoridade das Forças Armadas. Além disso, dizer que a reprovação do desarmamento faria com que todos os “cidadãos de bem”, independente de sua condição social, estariam com porte de armas e não mais com armas ilícitas, é uma piada.

Francamente, quem acredita que deve se armar para se defender e não
conseguir uma licença de uso, não passando pelo teste psicológico, por
exemplo, será que vai se conformar e ficar “quietinho” no seu canto ou vai arrumar um jeito de também ter a sua?

Pensem bem, ser os “valentões” ao invés de usar a inteligência pode ser cruel. Assumir uma postura de “animal irracional” com acessório em punho é contradizer toda nossa vontade de paz, justiça e felicidade.

Se quisermos um país mais justo, devemos ter um papel responsável e crítico, de denunciar, cobrar, votar...de desarmar para poder cobrar das autoridades a punição dos “vilões”, já que dizendo sim ao desarmamento, estaremos
dizendo sim à vida, ao mesmo tempo que estaremos dizendo não à criminalidade e à impunidade.

Precisamos dizer sim ao desarmamento, à educação básica de qualidade, aos livros, ao lazer, ao esporte...à vida. Dizer sim para ações que com certeza diminuirão a desigualdade social e conseqüentemente os altos índices de violência.

 

* Patrícia Regina Alves é Pedagoga, cursando MBA em Gestão e
Empreendedorismo Social pela FIA. Trabalha como educadora social e
consultora de RH e Responsabilidade Social Corporativa. É Diretora da Valor
Humano Consultoria e Vice-Presidente da Organização Caetê.