A INFORMÁTICA E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL
Escrito por Profª. Drª. Leny Magalhães Mrech
Ter, 02 de Janeiro de 2001 03:00
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A INFORMÁTICA E A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL(1)

Profª. Dr.ª Leny Magalhães Mrech
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

 

Síntese:

1. Mudanças na Sociedade Atual

2. Revolução na Educação: Educação Comum, Educação Especial e Educação Inclusiva

3. Novos Rumos no Processo de Construção do Conhecimento dos alunos comuns, portadores de deficiência e distúrbios de aprendizagem

4. Informática e Internet

5. Educação On-Line

I. INTRODUÇÃO

Estamos às portas de um novo século. A Educação, a Escola, os professores, alunos, pais, funcionários, equipe técnica e comunidade precisam ser preparados para estes novos tempos.

" A globalização obriga todos os países a arranjar trunfos específicos para participarem no desenvolvimento das relações econômicas mundiais, torna mais escandalosa ainda a separação entre os que ganham e os que perdem.

Outra característica da globalização, a constituição de redes científicas e tecnológicas que liguem entre si, os centros de pesquisa e as grandes empresas do mundo inteiro, tende a agravar disparidades. Faz parte destas redes, quem tiver qualquer coisa com que participar: informação ou financiamento; quem pertencer a países mais pobres (pesquisadores ou empresários) arrisca-se a ser excluído. E deste modo se aprofunda a diferença, em termos de conhecimentos, que faz com que aqueles que deles ficam privados, permaneçam afastados dos pólos de dinamismo."(2)

Tempos novos onde o global e o local estão em constante processo de estruturação e articulação. O lugar estratégico onde é possível redefinir o espaço e o tempo tanto sociais quanto individuais. Momento mágico de criação de um novo lugar e de um novo tempo. Tempo de transformação em que decisões precisam ser tomadas.

" As teses defendidas no Relatório, da educação básica à universidade, voltam-se essencialmente para o desenvolvimento humano entendido como a evolução da "capacidade de raciocinar e imaginar, da capacidade de discernir, do sentido de responsabilidades".

O Relatório dá especial ênfase ao papel dos professores como agentes de mudanças e formadores do caráter e do espírito das novas gerações, tendo em vista a necessidade de evitar os preconceitos étnicos e o totalitarismo". (3)

Decisões que dizem respeito à possibilidade de mudança. Tempos de escolha. A possibilidade de rompimento ou perpetuação do círculo vicioso da incompetência e estigmatização na escola pública atual.

O SITE EDUCAÇÃO ON-LINE parte da importância do resgate dos professores da escola pública, como agentes estratégicos de transformação social. Ele se baseia no uso das novas tecnologias da comunicação e informação, como instrumentos capazes de propiciar aos professores, uma atualização mais rápida, constante e precisa das suas necessidades de informação e formação. Ele frisa a importância do fortalecimento das relações presenciais e virtuais, entre todos os participantes da escola, para a criação de uma "comunidade de aprendizes ".

Primeiramente, cumpre ressaltar que este site é um dos poucos que está sendo implementado no Brasil no âmbito da Educação Inclusiva. Ela é a última vertente da Educação Especial. Onde há o privilegiamento da inclusão de todos os tipos de alunos na escola regular. Principalmente se eles forem portadores de deficiência ou de distúrbio de aprendizagem.

A Educação Inclusiva é ainda pouco conhecida em nosso país. Mas, no mundo todo ela vem desencadeando uma verdadeira revolução na Educação, possibilitando redefinir velhos parâmetros onde os alunos eram olhados de maneira altamente estigmatizadora e imutável. A Educação Inclusiva privilegia o plástico da capacidade de aprendizagem dos seres humanos. Ela revela que todos podem aprender, desde que lhes sejam dadas as condições necessárias para isto.

Cabe aos professores preparar o caminho para os seus alunos. Uma mudança na forma tradicional do professor agir, sentir e pensar. Um problema que abarca uma dupla vertente: a da informação e a da formação. A Educação Inclusiva se assenta na chamada Sociedade da Globalização e na Sociedade da Informação. Uma nova forma de olhar o seres humanos e o seu processo de ensino - aprendizagem.

" Toda reflexão séria sobre o futuro dos sistemas de educação e capacitação na cibercultura deve basear-se em uma análise das mudanças que experimenta nossa relação com o conhecimento. Neste sentido, a primeira observação se refere à velocidade de renovação do saber e do saber fazer. Pela primeira vez na história da humanidade, a maior parte dos conhecimentos adquiridos por uma pessoa no início de sua vida profissional , serão obsoletos ao final de sua carreira. A segunda

observação, estritamente ligada à primeira, concerne à nova natureza do trabalho, no qual a transação de conhecimentos cobra cada vez maior importância. Cada vez mais, trabalhar é aprender, transmitir, e produzir conhecimentos. Terceira observação : o ciberespaço constitui um suporte para as tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas do ser humano: a memória( base de dados, hiper-documentos, arquivos numéricos de todo tipo), a imaginação (simulações), a percepção ( sensores numéricos, telepresença, realidades virtuais), os pensamentos ( inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos). "(4)

A Sociedade da Informação institui, através das tecnologias da informação e comunicação, novas formas produzir, preservar, atualizar e transmitir o conhecimento, a memória coletiva, o patrimônio cultural da humanidade. Formas que alteram as práticas educativas anteriores direcionadas apenas para a oralidade e a escritura tradicionais. O que acabou ocasionando uma mudança radical no próprio processo de formação e capacitação dos professores.

" O fluxo de saber, o trabalho de conhecimentos, as novas tecnologias da inteligência individual e coletiva mudam profundamente nosso enfoque da educação e da capacitação. O que faz falta aprender já não pode planificar-se e nem pré-definir-se com exatidão. A definição e aquisição de competências são individuais, e de forma crescente cada vez mais não podem ser canalizadas sob a forma de programas ou conteúdos válidos para todo mundo. Devemos criar novos modelos para representar o espaço do conhecimento. Devemos substituir a representação tradicional - em escalas lineares e paralelas, pirâmides estruturadas por "níveis", organizados pela noção de pré-requisito e convergindo para graus superiores de conhecimento - por uma imagem de espaços de conhecimentos emergentes e em fluxo, abertos, contínuos, não lineares, que se reorganizam segundo objetivos ou contextos, ocupando em cada um deles uma posição singular e variável". (5)

Na base das novas tecnologias da informação e comunicação encontra-se o hipertexto. Ele possibilita a utilização de novos recursos educativos, que ampliam o modelo tradicional de texto escrito, enquanto um contexto linear.

" Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmo ser hipertexto. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto significa tanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira". (6)

Acreditamos ser preciso preparar os professores, para estes novos tempos, onde eles estarão frente à criação, implantação e implementação das novas tecnologias da informação e comunicação e aos novos rumos educacionais desencadeados pela Educação Inclusiva. Em suma, frente à chamada Sociedade da Informação; onde há a criação constante do novo, em que a singularidade e o pluralidade se tecem de uma forma articulada. O educacional passa a ser redefinido continuamente, exigindo uma preparação e especialização contínua por parte dos professores.

O Site EDUCAÇÃO ON-LINE visa a implantação de um novo tipo de vínculo educacional, que propicie um melhor direcionamento para os contextos futuros da Sociedade da Informação, Sociedade Global e Sociedade Inclusiva. Um encaminhamento para a instauração da sociedade triádica. Uma sociedade maior unificada através de uma noção ainda mais abrangente : a da própria Sociedade Educativa.

" É a idéia de educação permanente que deve ser repensada e ampliada. É que, além das necessárias adaptações relacionadas com as alterações da vida profissional, ela deve ser encarada como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes e aptidões, da sua capacidade de discernir e agir. Deve levar cada um a tomar consciência de si próprio e do meio ambiente que o rodeia, e a desempenhar o papel social que lhe cabe enquanto trabalhador e cidadão.

A este propósito, referimos a necessidade de caminhar para "Uma sociedade educativa". É verdade que toda a vida pessoal e social oferece oportunidades de progredir no saber e no saber fazer. Somos, então, levados a privilegiar este aspecto da questão e a pôr em relevo o potencial educativo dos modernos meios de comunicação, da vida profissional, ou ainda das atividades de cultura e lazer. A ponto de chegarmos a esquecer certas verdades essenciais . É que, se é verdade que cada um deve utilizar todas as possibilidades de aprender e de se aperfeiçoar, não é menos verdade que para estar apto a utilizar, corretamente, estas potencialidades, o indivíduo deve estar na posse de todos os elementos de uma educação básica de qualidade. Mais, é desejável que a escola lhe transmita ainda mais o gosto e prazer de aprender, a capacidade de ainda mais aprender a aprender, a curiosidade intelectual. Podemos, até, imaginar uma sociedade em que cada um seja, alternadamente, professor e aluno". (7)

Na Sociedade Educativa é fundamental que os professores se encaminhem continuamente para o uso dos mais recentes recursos da informática e Internet; assim como, para um processo de formação e capacitação de qualidade. É preciso que os professores sejam trabalhados tanto no virtual quanto no presencial. O Site Educação On-Line visa amarrar essas duas pontas que, geralmente, permanecem desatadas.

Um dos conteúdos mais importantes a ser trazido para os professores nestes novos tempos, frisamos mais uma vez, é a chamada Educação Inclusiva. Ela faz parte das novas práticas educativas a serem implantadas no próximo século; ou seja, a curto prazo; tal como está sendo previsto pelo novo Plano Nacional de Educação - capítulo Educação Especial.

" 4. Redimensionar, em cinco anos, as classes especiais e criar salas de recursos, conforme as necessidades da demanda escolar, de forma a favorecer e apoiar a integração dos educandos com necessidades especiais em classe comuns, sempre que possível fornecendo-lhes o apoio adicional necessário.

5. Generalizar, em dez anos, o atendimento aos alunos com necessidades especiais na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, inclusive através de consórcio entre municípios, quando necessário, provendo, nesses casos, o transporte indispensável. " (8)

A Educação Inclusiva visa congregar a Educação Comum e a Educação Especial, na implantação de um contexto gerador, onde nenhuma criança seja excluída do sistema educacional. O MEC tem dado uma ênfase toda especial, para que os professores do ensino regular recebam estes conteúdos para se preparar para esta nova etapa do processo educativo.

" 19. Incluir nos currículos de formação de professores, nos níveis médios e superior, conteúdos e disciplinas que permitam uma capacitação básica para atendimento aos portadores de necessidades especiais. "(9)

Acontece que, no Brasil, ainda temos poucas informações a respeito desta forma de trabalho. Daí, a importância de um site como o EDUCAÇÃO ON-LINE.

Em suma, trata-se de usar da Informática e da Internet, assim como da Educação Inclusiva, como agentes aceleradores de mudanças. Das práticas, dos paradigmas educacionais, na instituição de novas formas de pensar e tecer o trabalho educativo.

O site EDUCAÇÃO ON-LINE visa capacitar os professores para estes novos tempos que virão, para o século XXI. Levando o professor a se encaminhar para a Sociedade Globalizada do futuro. Uma sociedade onde o local, o geral e o universal interajam entre si. Uma Sociedade que inclua em vez de excluir.

2. REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO: EDUCAÇÃO COMUM, EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

O site Educação On-Line segue os fundamentos da chamada Educação Inclusiva, base da implantação dos demais tipos de sociedade: a Sociedade Global e a Sociedade da Informação. Pois, se não houver uma efetiva inclusão social, as pessoas, grupos, instituições ou sociedades poderão sempre ser excluídas, a qualquer momento, do contexto social ou do espaço cibernético.

A opção pela Educação Inclusiva e, em decorrência, pelo princípio da inclusão social, não aconteceu ao acaso. Ela foi produto da análise e identificação dos principais problemas da escola pública brasileira. Ela partiu do consenso geral a que tem chegado todos aqueles que trabalham no campo educacional: o sistema educacional brasileiro não vai bem.

Primeiramente, há uma grande parcela da população que fica excluída do ensino regular. Mais de dois milhões e oitocentos mil alunos encontram-se fora do sistema educacional. E, em segundo lugar, pode-se dizer que o destino daqueles que permanecem no sistema escolar também não é dos melhores: há, por um lado, a evasão e a repetência escolar e, por outro, a estigmatização de grande parte dos alunos que ali permanecem, de um modo grave como deficientes mentais, ou, mais brando, como portadores de distúrbios de aprendizagem.

Assim, constata-se que embora haja uma aparente diferença no plano classificatório, o resultado tem sido sempre o mesmo: a cisão do processo de ensino-aprendizagem em dois grandes blocos: o dos alunos normais e a educação comum e dos alunos com distúrbios cognitivos e a educação especial e/ou a psicopedagogia.

A conseqüência maior deste processo, é que o papel da Educação brasileira fica gravemente comprometido, em uma divisão prévia, que acaba por minar o próprio nível de inclusão dos alunos e a proposta de uma Educação mais democrática.

No entanto, é preciso ressaltar que o caso do Brasil, não é único. Ele tem sido encontrado rotineiramente em países do terceiro mundo, onde há sempre vastas parcelas da população excluídas da sociedade civil.

O que acabou acarretando uma intervenção de órgãos internacionais, tais como a UNESCO, a UNICEF, etc; na tentativa de minimizar estes efeitos deletérios.

Surgiram novos documentos, produtos da preocupação de grandes congressos internacionais patrocinados pela UNESCO, que tentaram estabelecer os fundamentos de uma nova política educacional mundial, menos excludente e mais inclusiva. Lançando os fundamentos de novas leis e direitos para todos. Os principais documentos mundiais são os seguintes: a Convenção de Direitos da Criança (1988), a Declaração sobre Educação para Todos de 1990 e a Declaração de Salamanca de 1994. Todos visam a inclusão social, como a forma mais efetiva de implantação da Educação Inclusiva, primeiro passo para a implantação da Sociedade Inclusiva, da Sociedade Educativa.

" Apelamos a todos os governos e os instamos a:

- dar a mais alta prioridade política e orçamentária à melhoria de seus sistemas educativos, para que possam abranger todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais;

- adotar, com força de lei como política, o princípio da educação inclusiva que permita a matrícula de todas as crianças em escolas comuns, a menos que haja razões para o contrário;

- promover e facilitar a participação de pais, comunidades e organizações de pessoas com deficiência no planejamento e no processo de tomada de decisões para atender a alunos e alunas com necessidades educativas especiais;

- assegurar que, num contexto de mudança sistemática, os programas de formação do professorado, tanto inicial como contínua, estejam voltados para atender às necessidades educativas especiais nas escolas inclusivas." ( Declaração de Salamanca)

Mas, de onde vem está tendência mundial que se consolidou através da Educação Inclusiva? Acreditamos que esta verdadeira vocação pelos marginalizados emergiu de quatro fontes básicas constituídas ao longo das décadas de 60 e 70: a psicanálise lacaniana ; a luta pelos direitos humanos, a pedagogia institucional e o movimento de desinstitucionalização manicomial.

Primeiramente, a psicanálise lacaniana introduziu um questionamento em relação ao quadro clínico de deficiência mental, revelando uma nova maneira de olhar a criança portadora de deficiência mental. A autora que mais se destacou nesta empreitada foi a psicanalista lacaniana Maud Mannoni. Em 1964 ela lançou o livro que irá fundamental a maior parte dos novos olhares sem preconceitos e processos de estigmatização: A Criança Atrasada e a Mãe.

"Para mim não se trata de encontrar uma nova causa do atraso, e também não se trata de fazer um diagnóstico mais rigoroso. Esforço-me muito simplesmente por ir além duma etiqueta que foi o ponto de partida da cristalização da angústia familiar.

A pergunta que faço a mim mesma não é : será débil ou não? É antes da ordem seguinte: que há de perturbado ao nível da linguagem ( na relação mãe-filho) que se exprime por uma via afastada, paralisando o indivíduo no estatuto social que lhe foi conferido, paralisando a mãe no papel que ela se atribuiu a si própria?(...) Não procuro reintroduzir uma classificação diferente. Antes pelo contrário, limito-me, partindo de um veredicto, a pô-lo em causa. (...) Deixando apesar de tudo o retrato do "atrasado" numa penumbra, porque, neste estádio de pesquisa, um passeio nas trevas é preferível à segurança que dá a luz". (10)

Iniciou-se, dessa forma, a partir daí, a luta para que a criança portadora de deficiência mental tivesse direito à palavra. Para que ela fosse vista de uma forma não estigmatizada.

Mais tarde, a luta pelos direitos humanos veio ampliar estas discussões ainda mais. De 1964 a 1968, no meio universitário e fora dele, emergiu, no mundo todo, a defesa pelos direitos humanos de todas as pessoas. Independente do fato delas pertencerem a uma dada raça, cor, religião, situação financeira, etc. Estes movimentos são a retomada da luta pela Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948.

Os movimentos de direitos humanos irão revelar o papel estratégico que a Educação ocupa no processo de criação de uma sociedade mais livre e igualitária.

A Educação emerge através de sua vertente mais revolucionária, a chamada Pedagogia Institucional, cujas raízes se encontram no movimento freinetiano e no grupo anarquista dos Situacionistas Internacionais.

Estes serão a base da chamada revolução de maio de 1968, que irá desencadear uma nova forma de ver a cultura, a Educação.

" Define uma atividade que pretende fazer as situações, não as examina em função de um valor explicativo ou qualquer outro. Isto em todos os níveis da prática social e da história individual. Nós trocamos a passividade existencial pela construção de momentos de vida, a dúvida pela afirmação lúdica. Até o presente os filósofos e os artistas não fizeram mais que interpretar as situações; corresponde agora transformá-las. Uma vez que o homem é produto das situações que atravessa, lhe convém criar situações humanas. Ainda que o indivíduo está definido pela situação, tem o poder de criar situações dignas de seu desejo. Desta perspectiva devem fundir-se e realizar-se a poesia( a comunicação como a realização de uma linguagem em situação), a apropriação da natureza, a liberação social completa. (...) Os valores da cultura passada, as esperanças de realizar a razão na história, não tem uma continuação possível. Apenas lhes fica a decomposição. O termo situacionista, no sentido da Internacional Situacionista, é exatamente o contrário do que se chama em português um "situacionista", quer dizer, um partidário de uma situação existente, por conseguinte do salazarismo."

Os situacionistas internacionais propuseram que não se glorificasse mais o passado; mas se produzisse algo novo no aqui e agora. A noção de situação desempenhará aí um papel estratégico.

" O objeto da psicologia pode ser, em vez do indivíduo, uma situação e confunde-se com o efeito que esta situação suscita, com a solução buscada ou encontrada das dificuldades que ela apresenta. O ato é encarado do lado de fora, sem qualquer postulado de consciência ou de pessoa. O sujeito é visto apenas através do seu comportamento, em ligação estreita com as circunstâncias que o fazem reagir. Nada delimita a priori a parte das circunstâncias e a do sujeito. Nada permite presumir o papel respectivo das estruturas biológicas e da invenção psíquica, do organismo e da pessoa. Só a observação, a análise e a comparação tornam possível a discriminação dos fatores em jogo. Este método, estritamente objetivo, que parte da indivisão entre forças externas e internas, entre necessidades físicas e possibilidades mentais, é, no entanto, o mais capaz de mostrar as oposições ou os conflitos e de fazer as diferenciações que se seguem a tudo isto". (11)

Ela possibilitará a crítica das concepções que privilegiam apenas o indivíduo como fator determinante do processo. Ele introduzirá a importância do contexto social. No caso da Psicanálise este processo vai ainda mais fundo, ao privilegiar os aspectos inconscientes do processo de estruturação das situações. Elas se tornaram os elementos estratégicos, contextos privilegiados, transformadores da cultura, da sociedade, do sujeito, do momento presente.

A situação possibilita a instituição de um lugar para o sujeito. Ela cria um espaço de ação.

A pedagogia institucional como o próprio nome indica foi a primeira a assinalar a importância da situação contextualizada no âmbito das instituições educacionais. Ou seja, a instituição se apresentando sob a forma de uma escola, tecida de uma determinada forma. Uma das experiências educacionais mais ricas, que revela este processo, foi a Escola de Barbiana. Ela foi a primeira escola, onde a situação educacional desempenhou um papel diferente. Onde as crianças com distúrbios de aprendizagem grave estruturaram um novo espaço; instituindo uma nova prática pedagógica. Com a ajuda de um cura de aldeia, elas criaram uma escola, onde elas mesmas se ensinavam, aquilo que o sistema educacional havia se recusado a fazê-lo.

"A lição de Barbiana é que a sociedade cria o fracasso escolar ( e o "mantém ") como se a sociedade necessitasse de um sistema que assegurasse a produção de uma elite ( para ofícios nobres) e de operários( filhos de trabalhadores) para assegurar a mão de obra que necessita a classe dominante." (12)

Por último, o movimento de desinstitucionalização manicomial trouxe a percepção de uma situação geradora e mantenedora de doenças. Um espaço doentio, mantido pelo processo de estigmatização do doente mental. Ao mesmo tempo em que os pesquisadores identificavam a doença; eles foram também se dando conta da possibilidade de mudar este espaço, gerando uma situação saudável. Onde os doentes mentais não ficassem excluídos das situações comuns. Onde a eles fosse dado o direito de participar de uma forma mais ampla e digna dos contextos sociais comuns.

"A doença mental questiona todos os níveis de relação com a pessoa: questiona o mundo biológico e ao mesmo tempo os modos em que a sociedade se organiza através de suas instituições. Não se pode enfrentar o problema da doença mental sem enfrentar os problemas das instituições e, antes de mais nada, das instituições responsáveis: os hospitais psiquiátricos, as leis, os regulamentos, as formas com que os Estados organizam uma resposta à doença mental, as maneiras com as quais dentro da sociedade civil se reage à doença mental, as formas com que dentro da família se interage com a doença mental, o jeito com que dentro da escola se constrói a exclusão, se constrói a doença mental".(13)

3. NOVOS RUMOS NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DOS ALUNOS COMUNS, PORTADORES DE DEFICIÊNCIA E DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM

A partir da emergência deste novo contexto social, foi possível redefinir a própria posição ocupada pelo aluno. De alguém que recebia passivamente o conhecimento, ele passou a ser visto como alguém que poderia criá-lo.

O sistema social se deu conta da necessidade de ampliação do acesso à Educação àqueles alunos que ficavam tradicionalmente excluídos do sistema regular de ensino.

" A educação básica deve ser proporcionada a todas as crianças, jovens e adultos. Um compromisso efetivo para superar as disparidades educacionais deve ser assumido. Os grupos excluídos - os pobres; os meninos e meninas de rua ou trabalhadores; as populações das periferias urbanas e zonas rurais; os nômades e os trabalhadores migrantes; os povos indígenas; as minorias étnicas, raciais e lingüísticas; os refugiados; os deslocados pela guerra; e os povos submetidos a um regime de ocupação - não devem sofrer qualquer tipo de discriminação no acesso às oportunidades educacionais.

As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiência requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo". ( Declaração sobre Educação para Todos)

Um acesso que não barrasse a nenhum tipo de aluno; principalmente, aqueles portadores de necessidades educativas especiais e distúrbios de aprendizagem.

" O direito de toda criança à educação foi proclamado na Declaração de Direitos Humanos e ratificado na Declaração Mundial sobre Educação para Todos. TODA PESSOA COM DEFICIÊNCIA TEM O DIREITO DE MANIFESTAR SEUS DESEJOS QUANTO A SUA EDUCAÇÃO, NA MEDIDA DE SUA CAPACIDADE DE ESTAR CERTA DISSO. OS PAIS TÊM O DIREITO INERENTE DE SEREM CONSULTADOS SOBRE A FORMA DE EDUCAÇÃO QUE MELHOR SE AJUSTE ÀS NECESSIDADES, CIRCUNSTÂNCIAS E ASPIRAÇÕES DE SEUS FILHOS". ( Declaração de Salamanca)

É por tudo isto que dizemos que o olhar introduzido pela Educação Inclusiva, amplia ainda mais as discussões propostas pela luta dos direitos humanos das décadas de 60 e 70 .

" Para curar as pessoas não é possível manter em pé instituições dedicadas à exclusão, à marginalização, à violência e ao abandono". (14)

Como já assinalamos anteriormente, na base da Educação Inclusiva encontra-se o princípio da Inclusão social, a busca de um ambiente escolar e social, cada vez menos restritivo.

" A inclusão social é o processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência procuram adaptar-se mutuamente tendo em vista a equiparação de oportunidades e, consequentemente, uma sociedade para todos. A inclusão ( na sociedade, no trabalho, no lazer, nos serviços de saúde etc) significa que a sociedade deve adaptar-se às necessidades da pessoa com deficiência para que esta possa desenvolver-se em todos os aspectos de sua vida". (15)

Contudo, a Educação Inclusiva não pode ser reduzida apenas à quebra dos processos de exclusão e marginalização dos sujeitos na escola. Ela vai mais além: propondo a inclusão do sujeito na sociedade. A Educação Inclusiva apresenta como objetivo maior a implantação da Sociedade Inclusiva, isto é, uma sociedade onde todos os ambientes sejam o menos restritivo possível, para todos os sujeitos, em todas as situações e contextos sociais.

A Sociedade Inclusiva visa a implantação da Sociedade Educativa onde a ignorância, a injustiça, o preconceito e a desigualdade social sejam minimizados ao máximo. Onde a sociedade não utilize as suas instituições para estigmatizar os seus participantes, mas para auxiliá-los.

" Uma sociedade inclusiva tem compromisso com as minorias e não apenas com as pessoas deficientes. Tem compromisso com ela mesma porque se auto-exige transformações intrínsecas.(..) Como filosofia, incluir é a crença de que todos têm direito de participar ativamente da sociedade, contribuindo de alguma forma para o seu desenvolvimento. Como ideologia, a inclusão vem para quebrar barreiras cristalizadas em torno de grupos estigmatizados. Indivíduos marginalizados terão a oportunidade de mostrar seus talentos." (16)

3.1. A ESPECIFICIDADE DO CONTEXTO EDUCACIONAL BRASILEIRO

Mas, será que, no Brasil, nós estamos indo também na direção desta tendência universal à globalização, à educação e à inclusão? Aqui a constatação é trágica. Enquanto no mundo inteiro há a implantação de ambientes e práticas sociais e educacionais o menos restritivo possível, aqui ainda é bastante comum o uso de processos de isolamento e marginalização sociais, como práticas rotineiras de atuação dos professores.

Em suma, pode-se dizer que, enquanto os preconceitos na escola comum do mundo todo estão diminuindo, aqui eles continuam a aumentar. O que tem caracterizado a escola brasileira é que ela exclui, em vez de incluir.

Mas, por que isto ocorre? Acreditamos que uma das causas determinantes deste processo seja a prevalência do olhar médico em detrimento do olhar pedagógico. Um olhar que isola em vez de integrar socialmente. Um olhar que enxerga na diferença a possibilidade de um processo de contaminação.

O que a transposição da idéia de contaminação social tem acarretado ao setor educacional? Uma forma preconceituosa de olhar o aluno. A crença de que os maus alunos contaminam os melhores, como as pessoas doentes costumam contaminar as saudáveis.

A conseqüência maior é que o professor fica à espreita da emergência de uma nova "doença" : o fracasso escolar.

" Na escola, este processo de biologização geralmente se manifesta colocando como causas do fracasso escolar quaisquer doenças das crianças. Desloca-se o eixo de uma discussão político-pedagógica para causas e soluções pretensamente médicas, portanto inacessíveis à aprendizagem. A isso, temos chamado medicalização do processo de ensino-aprendizagem. Recentemente, por uma ampliação da variedade de profissionais de saúde envolvidos com o processo ( não apenas o médico, mas também o enfermeiro, o psicólogo, o fonoaudiólogo, o psicopedagogo), temos usado a expressão patologização do processo de ensino-aprendizagem". (17)

A concepção de normalidade da medicina aplicada ao contexto escolar tem levado a escola brasileira a instituir processos de isolamento social, de verdadeiras "quarentenas" sociais.

" O próprio termo "normal" passou para a língua popular e nela se naturalizou a partir de vocabulários específicos de duas instituições: a instituição pedagógica e a instituição sanitária.(...) Normal é o termo pelo qual no século XIX iria designar o protótipo escolar e o estado de saúde orgânica. O normal não é um conceito estático ou pacífico, e sim um conceito dinâmico e polêmico." (18)

Houve um privilegiamento do conceito de normalidade, levando o professor do ensino regular e do ensino especial a tomá-lo como medida e parâmetro de excelência. Acontece que, para a Medicina, o próprio conceito de normalidade apresenta imprecisões, levando a uma série de críticas e reformulações.

" Na verdade, mesmo para a medicina, até a primeira metade do século XIX, definir a doença queria dizer não tanto curá-la, mas organizar os seus limites (erupção, manifestação sintomatológica, decurso e fim) como orgânicos. O problema não era tanto preparar remédios contra a morte, mas vencer a sua ameaça, exorcizando-a na vida do são, o que era possível conferindo ao doente um estatuto de exceção com respeito ao são, uma outra biologia que reflete, pelo avesso, a biologia original. O desenvolvimento da medicina moderna, emblematicamente assinalado, entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, pela luta às doenças contagiosas revela, sob o símbolo do darwinismo social imperante, uma nova vocação organizativa. Os modelos de intervenção que se elaboram com a higiene social, à medida que transformam o soma em um lugar no qual transitam os germes, definem a pessoa doente a partir do seu patrimônio genético e vinculam a cura às informações que ela é capaz de dar a esse respeito, e às modificações possíveis no ambiente.

A constatação torna-se, a partir daí, elementar : a luta contra a morte não pode se sustentar por remédios orgânicos, mas se faz possível apenas graças a uma transformação da organização da medicina no social."(19) "Não se trata de uma relação de contradição e exterioridade, mas de uma relação de inversão e de polaridade. Depreciando tudo aquilo que a referência a ela própria impede de considerar como normal, a norma cria, por si mesma, a possibilidade de inversão de termos."(20)

Diferentemente do que pensam os professores; há, para a Medicina contemporânea, uma instabilidade conceitual muito grande em relação à noção de normalidade. Ela necessita se apoiar constantemente no seu oposto - o conceito de doença. O que acaba instituindo um processo de redefinição e transformação mútua entre elas.

" Não se trata de uma relação de contradição e exterioridade, mas de uma relação de inversão e de polaridade. Depreciando tudo aquilo que a referência a ela própria impede de considerar como normal, a norma cria, por si mesma, a possibilidade de inversão dos termos."(21)

Assim, enquanto a pedagogia acabou privilegiando um conceito de normalidade contínuo e imutável; a medicina agiu de forma inversa, relativizando-o.

Ocorre que, para a medicina, a dificuldade não se encontra em definir a normalidade, mas em conceituar a doença, em estabelecer a ampla gama de possibilidades e gradações que ela implica. Isto porque, os médicos sabem que há doenças que não podem ser curadas ( a AIDS, por exemplo), mas que mesmo assim é necessário garantir aos pacientes uma qualidade de vida melhor.

Com isto, cada vez mais, os médicos passaram a precisar melhor os próprios conceitos de doença e de deficiência.

" A um estado de "normalidade" corporal, de saúde, corresponde, em termos médicos, um estado pré-patológico. Uma vez instalada a patologia ( quer seja decorrente da doença propriamente dita, da alteração genética, de acidente, etc) três são os caminhos possíveis: morte, cura ( e então a volta ao estado de saúde ) ou a instalação de seqüelas. Portanto alterações corporais, co-definidoras de deficiência física e sensorial e, às vezes de deficiência mental, não são mais doenças necessariamente, embora mantenham com as mesmas vários pontos de tangenciamento: recursos disponíveis, atendimento profissional e - em especial - atitudes sociais frente a elas." (22)

O portador de deficiência não tem uma doença. Ele apresenta um estado saudável, apenas sofrendo seqüelas do que foi a sua doença anterior. São a estas seqüelas que o professor costuma atribuir o sentido da doença do aluno. Ou seja, um deficiente físico que tenha sofrido uma lesão cerebral apresenta uma dificuldade motora. Mas esta dificuldade motora não é a sua doença atual. O corpo do portador de deficiência física apresenta-se saudável, embora seja limitado fisicamente. É a este limite físico que o professor costuma atribuir uma concepção de doença.

Um outro aspecto a ser assinalado é que a deficiência não é uma doença contagiosa. Ela não se transmite, de um sujeito para outro, através do contato dos portadores de deficiência e dos sujeitos normais.

Devido a tudo isto, a própria medicina acabou por minimizar a distinção entre a doença e a saúde. O que os médicos constataram é que o estado mais constante encontrado na natureza não é a saúde, como o professor acredita. Mas, exatamente o seu contrário, isto é, nós estamos sempre a um passo da doença, com pequenos intervalos de saúde. O que acabou por gerar uma revisão na forma social de se olhar a saúde e a doença.

"É preciso combater essa cultura que desvaloriza a doença, como se ela fosse o negativo. A doença, como a saúde, faz parte da vida. Não seríamos homens se não ficássemos doentes. Não poderíamos ser homens sem adoecer".

A doença no mundo atual, não é uma exceção. Ela é uma constante. A convivência com um número crescente de pessoas que apresentam um quadro de AIDS, sem sintomas de doença, a não ser a identificação da existência do vírus no corpo; ou a existência de muitas pessoas que passaram por viroses inespecíficas e se curaram; introduz a importância de uma mudança nas atitudes, frente a saúde e a doença, que normalmente as pessoas apresentam.

O próprio modelo de assepsia total, como possibilidade de uma existência sem germes ou processos de contaminação, revelou-se como sendo uma ilusão. Se o sujeito ficar sem germes, sem contaminação alguma, aí sim ele terá um problema: o da falta de imunização. O seu sistema imunológico não permitirá que ele conviva com as demais pessoas.

A conseqüência maior de tudo isto é que não há uma saúde perfeita. Não há uma normalidade total. Saúde e doença são processos que constantemente se mesclam no chamado sujeito normal.

Quais foram os efeitos da concepção médica aplicada à Educação? Eles foram terríveis; pois, possibilitaram o privilegiamento de uma concepção estática do processo de ensino-aprendizagem. O professor passou a acreditar na existência de um processo de ensino-aprendizagem comum a todas as épocas e a todas as sociedades. Em segundo lugar, ele passou a acreditar também na existência de um processo de ensino-aprendizagem normal. Um processo de ensino-aprendizagem saudável para todos os sujeitos, onde não houvesse a emergência de nenhum tipo de distúrbio ou deficiência. Em terceiro lugar, esta concepção de processo de ensino-aprendizagem normal acabou por gerar subprodutos: o processo de ensino-aprendizagem diferente e o processo de ensino-aprendizagem deficiente. No primeiro caso, o professor estaria frente aos alunos que apresentam os chamados distúrbios de aprendizagem e, no segundo, aos alunos que apresentam os processos de ensino-aprendizagem insuficientes; isto é, aqueles ocasionados pelas deficiências.

Assim, não é de se espantar que, na prática pedagógica do professor tenha surgido um mito, uma concepção que o leva a acreditar que, ou ele ensina o aluno em um processo de aprendizagem contínuo, e aí ele se encontra perante o aluno normal; ou, então, se o aluno apresentar qualquer problema de aprendizagem, ele se encontra frente a um sintoma de doença ou desequilíbrio, isto é, frente a um distúrbio de aprendizagem ou a algum tipo de deficiência ou doença mental.

" - a crença na existência de um aluno ideal, que respeita as normas e consegue aprender, os que se afastam desse modelo, são excluídos aos poucos da participação da sala de aula.

- baixa expectativa dos professores quanto à capacidade de aprendizagem dos alunos provenientes das camadas populares.

- atribuição do fracasso escolar a fatores extra-escolares, como família e desnutrição, sendo a família considerada a principal responsável.

Essas premissas ideológicas eximem os professores da responsabilidade na produção escolar e a remete para o aluno, que não tem como contestar."(23)

O privilegiamento do olhar médico na pedagogia acabou por levar o professor a tecer uma concepção prévia do seu aluno. Uma concepção que não se assenta no contexto cultural onde o aluno está colocado. Mas, na crença em princípios gerais e comuns a todos os sujeitos e a todas as sociedades. O que fez com que este parâmetro de universalidade se tornasse a outra face do parâmetro de normalidade. Devido a tudo isto, não é de se estranhar que ele retorne constantemente na prática do professor.

" O que se sabe é que cada vez mais as crianças com processos de ensino-aprendizagem diferentes ou deficientes são estigmatizadas em processos de avaliação de desempenho. Enquanto nos demais países do mundo todos os portadores de deficiência e os alunos portadores de distúrbios de aprendizagem são incorporados e trabalhados nas classes regulares; no Brasil, o processo de inclusão das crianças na classe comum vai exatamente na direção inversa.

Esse processo de rotulação e expulsão, base do fracasso escolar, vem sendo denunciado por pesquisadores ao longo do tempo."(24)

Através do processo de ensino-aprendizagem da criança normal concebido de uma forma estática, segmentada e atemporal, a singularidade de cada criança acabou se perdendo . Ao se privilegiar a chamada educação comum a partir de um modelo prévio de ensino fundado na noção de normalidade, acabou-se também por criar o seu oposto: a patologização do processo de ensino-aprendizagem. Pois, não se trata apenas do processo de ensino-aprendizagem de uma dada criança ser "diferente" ou "deficiente", quando comparados ao processo de ensino-aprendizagem da chamada criança normal. As diferenças e deficiências acabaram sendo transformadas em patologias ou doenças do processo de ensino-aprendizagem. Ou seja, o que acabou sendo privilegiado foi um olhar médico a respeito das crianças, em vez de um olhar pedagógico.

Acontece que o olhar médico se direciona apenas para o levantamento do estado atual da criança. O olhar pedagógico vai na direção inversa deste processo, ou seja, ele se volta para aquilo que a criança precisa aprender para ser um sujeito melhor. O olhar médico captura apenas o presente. O olhar pedagógico se volta para o futuro. São processos e contextos inteiramente diferentes.

Quem acabou sofrendo as conseqüências de tudo isso foram as próprias crianças que deveriam, na verdade, estar sendo privilegiadas pelo sistema educacional, através de uma forma de atendimento mais adaptada às suas necessidades educativas gerais e específicas. Os alunos surgiram como os únicos responsáveis pelos seus problemas.

Um dos efeitos mais sérios destes processos de patologização do processo de ensino-aprendizagem acabou sendo o da internalização da estigmatização por todos os participantes do processo de ensino-aprendizagem - o professor, o aluno, o supervisor, o coordenador pedagógico, o diretor,etc. O fracasso escolar tornou-se uma decorrência natural do próprio processo de ensino-aprendizagem. O fracasso escolar acabou sendo instituído e justificado a partir de uma abordagem de estigmatização e exclusão dos alunos.

Os alunos, por sua vez, passaram a interiorizar a inferioridade e a deficiência, passando a se reger por elas:

" A cadeia mais eficaz é a que leva a dar a ilusão de impotência. Essa idéia de inferioridade tem por finalidade fazê-los acreditar que estão "em seu lugar" e que qualquer esforço para mudar está voltado ao fracasso". (25)

Contudo, este aspecto vai na direção inversa à antiga Lei no. 4024/61, que no seu artigo 88, no caso da Educação Especial, já previa que " a educação dos excepcionais deve no que for possível, enquadrar-se no sistema geral da educação, a fim de integrá-los na comunidade".

Este processo encontra-se ainda mais fortalecido na nova LDB e no Plano Nacional de Educação - capítulo de Educação Especial, que prevê, para os próximos dez anos, uma política real de inserção dos portadores de deficiências ou necessidades especiais no ensino regular.

" O acesso à formação escolar que propicia o pleno desenvolvimento das potencialidades físicas, afetivas e intelectuais das crianças constitui problema extremamente sério para as famílias com filhos portadores de necessidades especiais. (...) O atendimento existente é, hoje, não só reduzido, mas precário.

A legislação brasileira determina que a Educação Especial deva ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, indicando claramente a concretização de uma política de integração.

Entretanto as escolas estão, em geral, desaparelhadas para esse tipo de atendimento, e os professores não estão habilitados para lidar com essas crianças, uma vez que, até recentemente, não reconheciam como sua a responsabilidade de educar crianças com necessidades especiais. Desta forma, milhares de crianças e jovens foram e são colocados à margem do sistema escolar e privados do acesso à cidadania e ao desenvolvimento pessoal a que têm pleno direito.

Por essas razões, deve-se prever a implantação sistemática da Educação Especial como modalidade de educação escolar nos diferentes níveis de ensino."(26)

Esta "nova" política educacional só reforça e retoma as propostas estabelecidas na Conferência sobre Educação para Todos, em Jointiem, na Tailândia, em março de 1990. Ela revela a importância de se trabalhar de uma forma não estigmatizada, no sentido da inclusão de todos os tipos de alunos no sistema de ensino regular.

E a Educação Especial como está? Ali também a concepção médica acabou ocasionando uma série de estragos. Fazendo com que o portador de deficiência fosse visto, desde o início, como um sujeito com uma limitação irremediável.

" Além da reduzidíssima fração da população deficiente que vem recebendo alguma forma de atendimento especial, um problema grave é que a maioria da clientela não ultrapassa os níveis iniciais de escolaridade. O problema é especialmente grave, uma vez que, tanto no caso do deficiente visual como do deficiente auditivo, níveis altamente satisfatórios de escolarização, incluindo mesmo ensino superior, poderiam ser alcançados, caso houvesse um atendimento especializado e processos escolares de boa qualidade. O enorme desperdício de talento e de potencial humano devido à baixa qualidade deve ser objeto de atenção."(27)

No entanto, fora do Brasil, o conceito de deficiência tem passado por severas críticas; sendo relativizado tanto no campo médico, psicológico, psicanalítico, psicopedagógico e pedagógico.

" A deficiência não é uma categoria com perfis clínicos estáveis, sendo estabelecida em função da resposta educacional. O sistema educacional pode, portanto, intervir para favorecer o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos com algumas características "deficitárias". A constatação de que um número significativo de alunos abandonavam a escola antes de finalizar a educação obrigatória ou não terminavam com êxito os estudos iniciais. O conceito de "fracasso escolar", cujas causas, embora pouco precisas, situavam-se prioritariamente em fatores sociais, culturais e educacionais, reavaliou os limites entre a normalidade, o fracasso e a deficiênca, e como conseqüência disto, entre os alunos que procuram a escola regular e alunos que vão a uma unidade ou escola de educação especial". (28)

No nosso país, no entanto, esta relativização do conceito de deficiência ainda não chegou. Ainda estamos presos à uma conceituação antiga. O que acaba acarretando a perpetuação do modelo tradicional das classes e escolas especiais.

Tudo isto tem levado, no Brasil, as áreas de Educação Especial e Psicopedagogia a serem pensadas apenas de uma forma meramente remediativa; reforçando ainda mais que a Educação Comum ficasse com os chamados alunos saudáveis, e a Educação Especial e a Psicopedagogia, ficasse com os alunos "doentes".

Mas, por que tudo isto ocorre? Porque o professor se volta para uma concepção médica para nortear a sua prática pedagógica? Na verdade, ele age desta forma por não ter recebido, em seus cursos de formação e capacitação, informações e formação suficiente que lhe possibilite estruturar a sua própria prática pedagógica.

" A precaríssima formação dos professores que atuam na Educação Especial foi aspecto discutido por todos os autores. Além da precária formação do corpo docente, um aspecto que também foi apontado, diz respeito à baixa qualidade dos cursos universitários de formação do educador especial. O descaso na qualificação docente é acompanhado de ausência de recursos necessários à complementação educacional do deficiente e de uma equipe de profissionais que propicie acompanhamento psicológico e pedagógico especializado". (29)

Muitas vezes, o professor sai desses cursos sem o mínimo preparo. O estágio é inexistente. O aluno recebe uma formação somente teórica, sem nunca ter trabalhado com a criança.

" No II Congresso de Psicopedagogia e V Encontro de Psicopedagogos, realizado em julho de 1992, um fato se destacou e mobilizou o redirecionamento do Curso: a dificuldade de se vincular à teoria a prática na formação do especialista em Psicopedagogia". (30)

Consequentemente, não é de se espantar que ainda não tenha havido uma efetiva inserção e inclusão dos alunos portadores de necessidades educativas especiais no sistema educacional comum e especial.

O que as pesquisas têm revelado é que o professor não trabalha de uma forma aprofundada porque não sabe. Então, como exigir dele esta nova forma de atuação ?

3.2. DA NECESSIDADE DE PREPARAÇÃO DOS PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Como vimos anteriormente, os nossos professores e equipes técnicas não estão preparados para a implantação e implementação da Educação Inclusiva nas redes públicas e particulares de ensino. Torna-se, então, urgente a preparação de todos os participantes da escola para enfrentarem esta nova modalidade de ensino.

A Educação Inclusiva traz em seu bojo um novo paradigma educacional. Uma nova forma de se olhar e trabalhar com o aluno, que tem que ser aprendida pela escola atual. A Educação Inclusiva introduz a escola inclusiva.

" O desafio que enfrentam as escolas inclusivas é o de desenvolver uma pedagogia centralizada na criança, capaz de educar com sucesso todos os meninos e meninas, inclusive os que sofrem de deficiências graves. O mérito dessas escolas não está só na capacidade de dispensar educação de qualidade a todas as crianças; com sua criação, dá-se um passo muito importante para tentar mudar atitudes de discriminação, criar comunidades que acolham a todos e sociedades inclusivas". ( Declaração de Salamanca)

Um dos aspectos mais importantes a ser trabalhado na escola inclusiva é o uso da linguagem utilizada pelo professor. É preciso que ele deixe de falar, e mais ainda de pensar, em formas estigmatizadoras de atuação. Principalmente aquelas que levem o aluno a se sentir depreciado e desvalorizado.

É necessário um trabalho que alcance um nível mais profundo. Aquilo que Pierre Bourdieu chamou de os "instrumentos inconscientes de construção".

" A linguagem levanta um problema particularmente dramático para o sociólogo: ela é, com efeito, um enorme depósito de pré-construções naturalizadas, portanto, ignoradas como tal, que funcionam como instrumentos inconscientes de construção". (31)

A Educação Inclusiva exige uma reelaboração do saber tradicional utilizado pelo professor. Este se assenta em "instrumentos inconscientes de construção" que interferem na própria produção dos saberes atuais do professor.

Os saberes sempre se reproduzem segundo o molde anterior. Isto porque o saber se assenta em hábitos, estereótipos, repetições, cláusulas obrigatórias, palavras-chave, etc. Aquilo que em nossa tese de doutorado e no projeto anterior nomeamos de " estruturas de alienação no saber".

Quando o professor se aliena em um saber determinado, oriundo daquilo que viu, ouviu, leu, praticou, etc; ele não abandonará este saber prévio, a não ser que possa elaborar outro em seu lugar. Um saber que atue de uma forma mais atualizada e que nele o professor reconheça a sua eficácia e validade.

Acontece que este saber não deve ser entendido como uma simples concepção cognitiva ou representação conceitual; ou seja, um saber, excluído de sua carga afetiva. Como revela a Psicanálise, o saber traz em seu bojo uma verdadeira erotização dos símbolos e das imagens. É este aspecto que tem escapado no construtivismo tal como ele tem sido empregado até o momento. Privilegia-se apenas o ângulo da construção do saber, e esquece-se dos entraves interiores em relação à própria construção do saber.

O professor costuma privilegiar certos conteúdos em detrimento de outros. Dessa forma, o saber pode se apresentar um circuito repetitivo e alienado que faz com que o sujeito continuamente mantenha a mesma prática alienada. É o que tem acontecido com a maior parte dos nossos professores.

É por tudo isto que frisamos a importância de um trabalho mais profundo, para que estas formas estereotipadas e preconceituosas de elaboração do saber, possam ser destruídas, gerando outras.

Qual a importância de trabalharmos para uma concepção direcionada para o aprender a aprender? A importância está em que diferentemente do modelo anterior onde o processo de elaboração do saber segue etapas pré-determinadas, aqui ele precisa ser construído/ reconstruído em função das necessidades específicas e gerais do aluno.

" Numa prática pedagógica pautada pelo construtivismo, é muito importante considerar que o caminho do sujeito rumo à aquisição do conhecimento objetivo passa por reestruturações globais, pela constituição de teorias por parte das crianças. Ao deparar com essas situações, cabe ao professor levar as crianças a perceber as contradições, desequilibrar-se e buscar superar essas contradições, ultrapassando, assim, sua antiga forma de operar". (32)

Estas formas menos estigmatizadora de elaboração do saber são a base para se pensar a Educação Inclusiva e o Construtivismo, pois ambas se centram no processo de construção do saber do aluno.

" As necessidades educativas especiais incorporam os princípios já aprovados de uma pedagogia equilibrada que beneficia todas as crianças. Parte do princípio de que todas as diferenças humanas são normais e de que a aprendizagem deve, portanto, ajustar-se às necessidades de cada criança, em vez de cada criança se adaptar aos supostos princípios quanto ao ritmo e à natureza do processo educativo. Uma pedagogia centralizada na criança é positiva para todos os alunos e, consequentemente, para toda a sociedade. A experiência tem demonstrado que é possível reduzir o número de fracassos escolares e repetições, algo muito comum em muitos sistemas educativos, e garantir um maior índice de êxito escolar. Uma pedagogia centralizada na criança pode contribuir para evitar o desperdício de recursos e a frustração de esperanças, conseqüências freqüentes da má qualidade do ensino e da mentalidade de que " o que é bom para um é bom para todos". As escolas que se centralizam na criança são, além disso, a base para a construção de uma sociedade centrada nas pessoas, que respeite tanto a dignidade como as diferenças de todos os seres humanos. Existe a imperiosa necessidade de mudança da perspectiva social. Durante muito tempo, os problemas das pessoas com deficiência foram agravados por uma sociedade mutiladora que se fixava mais em sua incapacidade do que em seu potencial". ( Declaração de Salamanca)

O professor na Educação Inclusiva precisa ser preparado para lidar com as diferenças. Com a singularidade de todas as crianças e não com um modelo de pensamento comum a todas elas.

4. INFORMÁTICA E INTERNET - A CRIAÇÃO DE UM NOVO ESPAÇO SOCIAL - O ESPAÇO CIBERNÉTICO

Mas, qual o papel da Informática e da Internet na capacitação do professor de Educação Especial/Educação Inclusiva e Psicopedagogia? Elas desempenham um papel fundamental. São as grandes agências dinamizadoras no processo de capacitação técnica.

Elas permitem que o professor conheça, um material que dificilmente ele teria acesso de outra forma. Isto porque há ainda, no Brasil, uma pequena produção de material escrito, referente à Educação Inclusiva. No restante do mundo, e principalmente nos E.U.A., ocorre o contrário. Há uma ampla variedade de livros, artigos de revistas e jornais especializados, filmes e fitas cassete. O que permite que o professor não adquira apenas um conhecimento teórico a respeito deste processo, mas fundamentalmente prático.

Os filmes desempenham um lugar estratégico na mudança de valores dos professores. Eles permitem que o professor veja novas formas de trabalho distintas daquelas que normalmente ele costuma utilizar.

Além disso, o espaço cibernético possibilita que o professor da Educação Inclusiva, conheça a situação de diferentes países, em suas múltiplas facetas e contextos. O que dificilmente a mídia escrita consegue trazer, dentro da mesma condição de aprofundamento.

Um outro aspecto a ser assinalado é que os principais representantes da Educação Inclusiva no Brasil, tem sites na Internet. Muitos deles com chats e Foruns de Mensagens, possibilitando um contato mais direto com o usuário comum. O que permite um contato mais direto com os especialistas através dos chats e Fóruns de Mensagens.

Já é possível começar a constatar, uma mudança no padrão das pesquisas brasileiras referentes à Educação Inclusiva, elas têem incorporado as investigações obtidas nos sites de busca nacionais e internacionais. O que propicia ao pesquisador brasileiro uma atualização mais rapida, diminuindo as suas defasagens em relação aos pesquisadores internacionais.

É por tudo isto que, pode-se dizer que a Educação Inclusiva vem desencadeando uma verdadeira revolução na Educação brasileira. Um novo lugar e um novo tempo. Um novo contexto educacional diferente, onde o professor não receba só informações, mas interagindo com especialistas, possa estabelecer um novo patamar de atuação prática e teórica.

4. EDUCAÇÃO ON-LINE

O Site Educação On-Line se iniciou, em 1996. Ele fazia parte da última etapa do Projeto Escola Viva( 1995/1997 ) que tivemos com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Este projeto atendeu a todos os professores das salas de SAPNE ( Salas de Atendimento aos Portadores de Necessidades Especiais), salas de SAP (Salas de Atendimento ao Portador de Distúrbios de Aprendizagem), 170 coordenadores pedagógicos, cinco EMEDAS (Escolas Municipais para os Portadores de Deficiência Auditiva) e 170 escolas. Foram atendidos direta e indiretamente a mais de 15000 alunos.

O site Educação On-Line foi previsto originariamente para o atendimento dos professores do Projeto Escola Viva. Através dele os professores poderiam trocar mensagens entre si. Posteriormente ele continuou independente do Projeto Escola Viva.

O Site Educação On-Line está alocado no Provedor Regra Um, desde 1996, com o objetivo de levar informação ao professor, pais e interessados na Educação brasileira. O site é distribuído em seções, onde destacamos as seguintes:

1) DOCUMENTOS - Podem ser encontrados on-line os seguintes documentos básicos da Educação: Convenção dos Direitos da Criança (1988 ), a Lei de Diretrizes e Bases, o Plano Nacional de Educação, a Declaração de Salamanca e a Declaração Mundial Sobre Educação para Todos.

2)FÓRUM PERMANENTE DE MENSAGENS - troca de mensagens entre professores e especialistas em Psicopedagogia, Educação Especial/Educação Inclusiva e Psicanálise.

3) CHAT - espaço para troca de idéias e informações com especialistas em Educação e interessados em geral.

4) LINKS COM AS PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES EDUCATIVAS - Labrimp da Faculdade de Educação da USP, NDI - Núcleo de Desenvolvimento Infantil da Universidade Federal de Santa Marina, Associação Brasileira de Psicopedagogia, DEFNET - Banco de Dados para a Pessoa Portadora de Necessidades Especiais e Núcleo de Informática na Educação Especial da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

5) FALA DAS INSTITUIÇÕES - As Instituições apresentam as suas posições oficiais. APEOESP e SINDUTE.

6) SITES DE BUSCA - com sites nacionais e internacionais

7) Artigos de Educação Inclusiva, Psicopedagogia, Psicanálise, Psicologia, Brinquedos e Jogos e Informática

8) Indicações de livros especializados

Foram realizadas inúmeras atividades desencadeadas através do EDUCAÇÃO ON-LINE:

1o) I Congresso de Avaliação da Criança na Rede Pública da Faculdade de Educação da USP, Universidade São Camilo e o Site da DEFNET.

2o) O I Seminário Interestadual Por Uma Educação Diferente - Faculdade de Educação da USP, Site Educação On-Line, DEFNET e UNI-Rio (Universidade do Rio de Janeiro), realizado no Rio de Janeiro.

3o) A I Jornada Internacional de Psicanálise e Educação - Fracasso Escolar - Impasses do Saber e do Desejo - Convênio Faculdade de Educação da USP e Fundação do Campo Freudiano

Atualmente o site Educação On-Line também está participando de um novo projeto, na Escola General Osório. Trata-se de um projeto de Escola Inclusiva. Em que estão sendo trabalhados os 36 professores da escola, em um processo de desestigmatização, com relação à sua forma de atuação em sala de aula.

A Escola de Primeiro Grau General Osório acabou se tornando um modelo de referência para as demais.

Atualmente, estamos dando entrada em um sub-projeto com a Secretaria Municipal da Prefeitura de São Paulo, a Fundação da Faculdade de Educação da USP e a DEFNET. Este sub-projeto compreende as seguintes etapas principais: 1. a capacitação técnica em Informática e Internet dos professores da Escola; 2. a criação do Site da Escola General Osório - onde será relatada a experiência de construção desta Escola Inclusiva e 3. a criação do I Banco de Dados de Educação Inclusiva para a Prefeitura Municipal de São Paulo, que congregará os esforços de dois sites: o Educação On-Line e o Site da DEFNET.

Temos também um outro projeto com a 12a. DREM da Prefeitura de São Paulo, que compreende mais de 20 escolas. A proposta é capacitar os professores para a implantação das escolas inclusivas.

É por tudo isto que, mais do que nunca, o Site Educação On-Line acredita na preparação dos Educadores como elementos estratégicos de transformação social. Uma preparação que não apague as diferenças, mas possibilite uma atuação dinamizadora para um contexto maior: o da Sociedade Educativa do Século XXI.

 

Bibliografia

(1)Artigo entraído da apresentação sob a forma de Conferência realizado no Educar 98, no Anhembi.

(2)DELORS, JACQUES (Org) - EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR - RELATÓRIO PARA A COMISSÃO INTERNACIONAL SOBRE EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI. São Paulo, Cortez/MEC, 1998, p. 39.

(3)DELORS, JACQUES - ob. cit., p. 10.

(4)LÉVY,PIERRE- LA CIBERCULTURA Y LA EDUCACIÓN.URL: http://www.infoage.ontonet.be/levys.html.

(5)LÉVY, PIERRE - LA CIBERCULTURA Y LA EDUCACIÓN. URL: http://www.infoage.ontonet.be/levys.html.

(6)LÉVY, PIERRE -AS TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA - O FUTURO DO PENSAMENTO NA ERA DA INFORMÁTICA. Rio de Janeiro, Editora Trans, 1993, p. 33.

(7)DELORS, JACQUES- ob. cit., p. 18

(8)PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - Capítulo Educação Especial. Recentemente aprovado no Congresso Federal. VERSÃO FINAL, p.58.

(9)PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, p. 58.

(10)MANNONI, MAUD - A CRIANÇA ATRASADA E A MÃE. Lisboa, Moraes Editores, 1977, p. 41.

(11) WALLON, HENRI - DO ATO AO PENSAMENTO. Lisboa, Portugália Editora, 1977, p. 89.

(12) MANNONI, MAUD E OCTAVE - ob. cit., p. 48.

(13) ANAIS DO II CONPSIC - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 6a. Região. São Paulo, Oboré Editora, 1992, p.68.

(14) ANAIS DO CONPSIC - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 6Á REGIÃO. São Paulo, Oboré Editora, 1992, p. 67.

(15) SASSAKI, ROMEU KAZUMI - INCLUSÃO - CONSTRUINDO UMA SOCIEDADE PARA TODOS. Rio de Janeiro, WVA, 1997, p. 168.

(16) WERNECK, CLAUDIA - NINGUÉM MAIS VAI SER BONZINHO NA SOCIEDADE INCLUSIVA. Rio de Janeiro, WVA, 1997, p. 42.

(17) COLLARES, CECÍLIA AZEVEDO LIMA E MOYSÉS, MARIA APARECIDA AFFONSO - Diagnóstico da Medicalização do Processo de Ensino - Aprendizagem na 1a. série do 1o. Grau do Município de Campinas. Em ABERTO, Brasília, ano 11, no. 53, jan/mar, 1992, p.16.

(18) CANGUILHEM, GEORGES - O NORMAL E O PATOLÓGICO. Rio de Janeiro, Forense-Universitária, 1978, p. 211.

(19) DELGADO, JAQUES(ORG) - A LOUCURA NA SALA DE JANTAR. Santos, Edição do Autor, 1991, p.28 e 29.

(20) CANGUILHEM, GEORGES - ob. cit., p. 212.

(21) CANGUILHEM, GEORGES - O NORMAL E O PATOLÓGICO. Rio de Janeiro, Forense- Universitária, 1978, p. 211.

(22) AMARAL, LÍGIA ASSUMPÇÃO - CONHECENDO A DEFICIÊNCIA( EM COMPANHIA DE HÉRCULES) . São Paulo, Robe Editorial, 1995, p.62.

(23) REFLEXÃO SOBRE UMA ATUAÇÃO CONJUNTA SAÚDE -EDUCAÇÃO FRENTE À SAÚDE MENTAL DO ESCOLAR DE 1o GRAU. Secretaria de Estado da Saúde, Grupo de Atenção à Saúde Mental - CADAIS, Núcleo Técnico de Saúde Mental - CADASE/DAE; Secretaria de Estado da Educação, Serviço de 1o. Grau - CENP, Serviço de Educação Especial - CENP. São Paulo, 1993, p. 8.

(24) BISSOLI NETO, JÚLIO - LEGISLAÇÃO E SITUAÇÃO ATUAL DAS CLASSES ESPECIAIS NO ESTADO DE SÃO PAULO. IN EDUCAÇÃO ESPECIAL EM DEBATE. São Paulo, Casa do Psicólogo, 1996, p.64.

(25) SCHIFF, MICHEL - A INTELIGÊNCIA DESPERDIÇADA. Porto Alegre, Artes Médicas, 1994, p. 14.

(26) PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - Capítulo Educação Especial, p. 56.

(27) ALENCAR, EUNICE M. L. SORIANO DE - UM RETRATO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL. Em ABERTO, Brasília, ano 13, nº 13, nº. 60, out/dez. 1993, p. 6.

(28) COLL, CÉSAR; PALÁCIOS, JÉSUS E MARCHESI, ÁLVARO - op. cit, p. 10.

(29) ALENCAR, EUNICE M. L. SORIANO DE - op. cit., p. 7.

(30) PORTILHO, EVELISE MARIA LABATUT - A PRÁXIS NA FORMAÇÃO DO ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA. In ANAIS DO VI ENCONTRO DE PSICOPEDAGOGIA. Material fornecido pela própria Associação Brasileira de Psicopedagogia. A ser publicado posteriormente pela Editora da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

(31) BOURDIEU, PIERRE - O PODER SIMBÓLICO. São Paulo, Difel, 1989, p. 39.

(32) MORI, NERLI NONATO RIBEIRO – UMA EXPERIÊNCIA DE ALFABETIZAÇÃO COM REPETENTES. Porto Alegre, Kuarup, 1983, p. 24.